18 de julho de 2017

Deve ser mesmo

Deve ser triste mesmo. Andar na rua à procura de olhares esperando o inflar do próprio ego.
Deve ser estressante mesmo. Mentir e viver na hipocrisia de pensar que vive uma vida verdadeira. Ter aquela voz de dentro dizendo que tudo é culpa dos outros... como se alguns alguéns tivessem realmente culpa do que está acontecendo à sua volta.
Ah, vê se te enxerga!
Vê se consegue enxergar além da imagem falsa e invertida que o espelho reflete de si.
Quando nem você próprio consegue enxergar-se verdadeiramente.
Quando nem você é dono do próprio saber e comete erros assim como todos.
Quando nem você... é capaz de assumir o próprio erro sem mentir ou atribuir a culpa a quem nem mesmo sabe de quem é a culpa do próprio existir.

Mas quem sou eu mesmo pra lhe dar esses conselhos, né ?
Devo ser só mais um figurante nessa sua novela amarga.
Que apareço apenas de vez em quando com o escopo de não alimentar essa sua ganância imunda e superficial de estar certo a todo momento.

Qual é o sentido disso tudo, se no final iremos virar adubos espalhados pelas terras por aí ?
Mas você não. Até seus restos mortais serão inúteis.
Ficarão separadinhos dentro de um pedaço de madeira cumprindo o mesmo papel dispensável que sua vida apresentou a todos nós.

3 de julho de 2017

Perdidos

Quanta gente perdida!
Quantas vidas vagando por aí aceitando o que nos é imposto exatamente do jeito que é colocado, sem nenhuma mudança.
Lembro-me de quando era mais novo e gostava de ser diferente apenas por ser diferente. Até eu descobrir que o diferente não é tão diferente assim. É tudo conectado.
Conceitos sobre conceitos. Engolidos com ajuda do álcool e com aquele empurrãozinho sádico da tristeza a qual instiga a busca de coisas inúteis.

20 de junho de 2017

Pulse Sensor Arduino

 I was trying to find a pulse sensor code that worked well on my Arduino UNO. I found some complex codes that are difficult to understand and to customize. Some of them were not precise on measuring BPMs. Then I found a way to simplify those codes and I came up with the code I'm about to describe here.

Basically, the signal that comes from the sensor varies from 0-1024 and it's very hard to sense a beat since the signal varies a lot. So, I reduced the scale from 0-1024 to a 0-1 scale by dividing by 512. I noticed that everytime a pulse was sensed it was higher than 512 on the first scale, which will give me 1 on the second scale.
Because there was a lot of false reads, or noises, the sensor would hit the number 1(2nd scale) once in a while. Then created a counter that reduce that noice when counting beats. Everytime this counter is above or equals 4, it'd be probably a real beat.

Sorry, english is not my first language but I hope it helped you.
If you have any questions, feel free to ask me leaving a comment bellow.

//  Variables
int PulseSensor = 0;                 //Pulse sensor is connected to the '0' analog pin
int Signal;                          //Signal Received from the sensor
int base = 0;                        //Base to the measurement
int beat = 0;                        //Number of beats
unsigned long time = 0;              //Current time in milliseconds
int bpm = 0;                         //BPM
int SignalPrev = 0;                  //Armazena o sinal coletado anterior ao atual
int counter = 4;                     //Number of variations that will be despised



void setup() {
   Serial.begin(9600);               // Set's up Serial Communication at certain speed.  
   pinMode(13, OUTPUT);
}

void loop() {

  Signal = analogRead(PulseSensor);                             // Reads the sensor
  Signal = Signal/512;                                          // Reduce the 1024 value scale to 0-1 scale
        
   if(Signal > base && SignalPrev ==0 && counter>=4){           //If There's a pulse and the previous signal is 0
        digitalWrite(13, HIGH);
        counter = 0;                                            // and the number of the signs despised is 4, then
        beat++;                                                
        SignalPrev = Signal;
        
     if (checkTime(time)){                                      //True if 1 minute has passed
        bpm = beat;       
        }  
        Serial.println(bpm);                                    //Prints the BPM value
        beat = 0;                                               // Resets the values
        bpm = 0;
        
     }
   
   }else {                                                                          //Senão, despreze o valor lido e adicione 1 ao
     SignalPrev = Signal;                                                       //número de valores desprezados
     counter++;
     digitalWrite(13, LOW);
   }
delay(100);                                                                         //Atrase a leitura do sinal em 100ms
}

//check if 1 minute has passed
   boolean checkTime (unsigned long temp){
     unsigned long temp2= millis();


      if((temp2-time)>=(60000)){
        time = millis();   
        return true;
       }
  return false;
  }

16 de junho de 2017

Guerra

Pensei que a luta maior fosse comigo mesmo
e que a inocência era um atributo louvável.
Mas não nesse mundo, não com as pessoas que aqui habitam.
Por causa de um ou outro ego pestilento e punhetável.

Pensei que a guerra fosse só no interior,
mas com esse jogo de imitação que é a vida social
nada há de novo e nem de aproveitável.
Nada de bom em ser um sujeito normal.

Tudo isso de requerer aceitação mexe com a mente.
Por que esperar que outros concordem com minhas ideias
se eu e o outro somos pessoas diferentes?
E nessa de encaixar-se com o que já existe
limitam-se os potenciais criativo e evolutivo de cada um inerentes.




18 de maio de 2017

Qual é a sua prisão ?

Olho em minha volta e vejo prisões.
Não prisões físicas, mas essas que enjaulam a nossa mente e limitam o espaço a nossa volta.

Com tanta variedade por aqui, procuramos as mesmas coisas e praticamos os mesmos hábitos, enquanto na verdade a busca por algo que nos é dado assim que nascemos perde-se nos enlaces feitos por nosso cérebro: a LIBERDADE.

Afinal, o que é liberdade ?

Nascemos zerados de conhecimentos, isso é um fato. Ninguém nasce sabendo andar, escrever, falar ou tocar algum instrumento. Tudo que sabemos foi um dia aprendido, seja com os pais em casa, com os amigos na escola ou em qualquer outra situação.

Outro fato é que nem tudo o que aprendemos se aplica a tudo o que vivemos. Ao estar de frente a uma situação diferente da habitual, tomamos ciência de que os mesmo procedimentos antes usados não se aplicam a essa nova circunstância, por exemplo, aprendemos que o fogo apaga-se com água, mas ao deparar-se com uma panela de óleo pegando fogo, o uso de água não cessaria o fogo, pelo contrário, só o aumentaria.

Alguns desses aprendizados são tão normais pra nossa mente que não nos damos conta que estamos fazendo uso dele. Você não pensa muito ao andar ou ao vestir uma camisa, pensa ? Assim, os conhecimentos acumulados ao longo da nossa vida tornam-se normais e não nos damos conta das nossas ações da rotina diária.

Ao longo dos anos, deparamos-nos com incontáveis situações que nos fornecem conhecimento sobre a vida em sociedade e também sobre o meio em que vivemos. Algumas dessas situações limitam nossas ações de diversas maneiras. Por que você acha que as pessoas tem paladares diferentes ? É uma questão puramente física ou relacionada ao que aprendemos ?

Talvez seja essa a maneira que as nossas personalidades são formadas. Se tomarmos como verdade que nossa personalidade é formada e não herdada geneticamente, a extensão de nossas escolhas se aumentam

Vivemos numa sociedade velha, embora ainda não tenhamos aprendido o verdadeiro sentido de liberdade pois o conhecimento das pessoas tem sido aplicado à aquisição de dinheiro e à superioridade interpessoal. Porém, a superioridade interpessoal é também um conhecimento adquirido e passado entre as gerações, assim como a arrogância, o egoísmo e a autossatisfação.

Comemos alimentos sem valor nutricional útil porque é gostoso, e esses alimentos vendem porque as empresas fornecedoras criam um cenário ideal para isso, seja criando novos hábitos, adicionando realçadores de sabor, açúcares ou qualquer outro ingrediente com uma alta taxa de aceitação dos paladares humanos.

Assim como esses alimentos, buscamos aceitação porque aprendemos dessa maneira. Se você está pensando que não busca aceitação, experimente andar apenas com roupas visivelmente sujas e rasgadas e repense essa questão.

Concluindo esse texto que ficou enorme(haha), nossos aprendizados enjaulam nossa mente e limitam o espaço a nossa volta, criando essas prisões "não-físicas". Todo mundo está preso a alguma coisa, tanto que me faz querer repensar se somos realmente livres.

Todos temos nossas prisões, então, qual é a sua prisão ?



11 de maio de 2017

Em espera

Esperando...
Sempre esperando...

Esperando as pessoas se consertarem com a moral
Esperando o sistema atual das coisas do dia a dia funcionarem de uma forma justa
Esperando o conceito que chamamos de "nossa vida" ser algo que vemos nos filmes ou seriados
Esperando a vida ao seu redor se ajustar e ficar confortável

Cansei de esperar
Na verdade, percebi que não tenho que ficar nesse estado de espera
Esse estado me deixa dependente da ação de outras pessoas
Enquanto minha única ação é a de não ter ação
Esperar...
Entrar em modo soneca...
Hibernar...
E com isso a vida passa, e eu aqui esperando.

Talvez essa espera se dê por conta de sermos ensinados de maneira errada
ou talvez seja imaturidade mesmo.
Imaturidade em pensar que todos serão maduros em praticar a justiça, a equidade e a empatia.

Quando era criança, era mais ativo, estava ligado...
Até a vida me apresentar esse modo hibernar, que... vamos combinar, é bem confortável até certo ponto.
Agora é hora de acordar, apertar o botão de ligar ou mesmo o de reset...
O que importa mesmo é estar funcionando. E não importa se surgirão erros ou não.

27 de abril de 2017

Nova Perspectiva(até quando?)

Analisando minha própria vida e meus próprios pensamentos, cheguei à conclusão de que ando atrás de algo que não sei o que é, mas talvez eu saiba o que não é.
Planejei a minha vida desde o ensino médio, diversas vezes. Não consigo contar porque foram muitas mesmo. Talvez em algum aspecto, isso tenha me dado alguma prudência, um caminho, ainda que ele seja bastante vago.
A verdade é que deixei de gostar das coisas que antes eram ótimas, mas agora nem tanto. Posso atribuir diversos motivos para isso: influência das críticas verbais e não verbais e definitivamente não construtivas de quem estava por perto, medo de não corresponder às expectativas, vontade de agradar outras pessoas, o fato de eu ouvir, ver, gostar, presenciar e pesquisar diferentes coisas e ficar confuso de qual dessas "é a melhor" em duas definições: menos pessoas a julgar mal e mais pessoas a julgar bem .
Esses motivos fazem sentido em várias dimensões, mas há um motivo principal que me levou a perder o interesse nas coisas que eu gosto/gostava é o fato de eu querer limitar  meu futuro, e quando digo limitar quero dizer estabelecer qual, como e quando cada coisa vai acontecer. Tenho me cobrado muito em ser O MELHOR em coisas que eu gosto, mas vejo que isso leva tempo, e por não dar tempo ao tempo, me sinto triste e desmotivado a fazer qualquer coisa, a ponto de não gostar mais de fazer o que gosto.(que)
Eu ainda sou muito jovem e inexperiente pra saber como a vida, as pessoas e o mundo vão ser daqui a 5, 10, 20, 40 anos. Posso tentar imaginar e acho até saudável isso, mas há muitas coisas no meio do caminho que ainda não consigo prever. Algo como o que eu vou gostar, as experiências que vou ter passado e como elas vão mudar meu jeito de enxergar a vida.
Lembro que antes de ir à China, estava conseguindo seguir meu plano(que tinha feito até 2024, haha), mas as experiências que vivi nesse intercâmbio conseguiram mudar o que eu queria, o que valia pena "gastar a vida" fazendo, entre outros.
Agora, tomo uma decisão meio irônica: decido que não decido mais nada.
Mas não tomo essa decisão baseada só nas minhas poucas experiências de vida, esse texto me auxiliou bastante:
Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos(ou tudo depende do tempo e do acaso).
Então, já que tudo depende do tempo e do acaso, se eu quiser me envolver em algo, em alguma área ou fazer qualquer outra coisa, tenho que "estar pronto" para isso.
Exemplo bastante hipotético: se quiser ser reconhecido ou ser selecionado pelo meu talento em jogar futebol, se eu der o meu melhor em me preparar as oportunidades só tendem a crescer.

18 de abril de 2017

Nem sei

Ai como essa vida é engraçadinha!
Há muitas perguntas aqui na minha cabeça que não sei responder...
Estou onde eu queria estar?
Sei fazer o que quero fazer?
Quero fazer o que quero fazer?(eta paradoxo)
Estou com as pessoas que gostaria de estar?
Estou utilizando meu tempo bem?
O que eu gosto de fazer?
O que eu não gosto de fazer?
Passo muito tempo em casa?
Sou do jeito que gostaria de ser?
Como os outros me veem?
Vou ficar satisfeito algum dia?
Por que estou fazendo essas perguntas?
Elas realmente importam?
To pensando muito no meu ego?
Qual ambiente gostaria de estar?
Passo muito tempo no computador?
Deveria socializar mais?
Será que gosto mesmo do que eu gosto?
Será que estou idealizando algo?

Muitas perguntas, poucas respostas. Se estivesse numa entrevista de emprego agora, responderia não sei, não sei, não sei e não sei...
Ah...nem sei!

13 de abril de 2017

valeu

será que fomos feitos pra nos comunicar tanto ?
penso nisso muitas vezes
comentários desnecessários, involuntários
palavras inúteis, soltas pra satisfazerem diversos prazeres

experimenta só
ficar sem falar nada que não seja perguntado
ficar sem falar nada sobre cada situação
em vez de reclamar, arranjar uma solução

ou só mesmo o não falar
guarda isso pra ti, fica quieto
aproveita pra pensar

6 de abril de 2017

Põe na sua mala

Essas tantas coisas
que você encuca na minha cabeça
Elas somem com tudo
e fazem com que nada apareça

Dando voltas e mais voltas
Chegam a um só lugar
À perfeita solidão
À separação do ser e o estar

Não sei se é mais triste não confiar em si mesmo
ou não confiar em ninguém mais além de si
O pior mesmo é não confiar nem em um nem no outro
Desconfiar de tudo, de si e de todos que estão por aí

E esse medo encucado
que não sei de onde vem
mas sei pra onde vai:
pra você e aos que do seu lado estiverem

Mas ao contrário do que pensa
Levo em consideração o que você fala,
O que você sente e como você pode se sentir
Isso, porém, tu não põe na sua mala

24 de março de 2017

pensamento clichê de hoje

Imagine there is a bank account that credits your account each morning with $86,400. It carries over no balance from day to day.
Every evening the bank deletes whatever part of the balance you failed to use during the day. What would you do? Draw out every cent, of course?
Each of us has such a bank. Its name is TIME.
Every morning, it credits you with 86,400 seconds.
Every night it writes off as lost, whatever of this you have failed to invest to a good purpose.
It carries over no balance. It allows no over draft. Each day it opens a new account for you. Each night it burns the remains of the day.
If you fail to use the day's deposits, the loss is yours. There is no drawing against "tomorrow."
You must live in the present on today's deposits. Invest it so as to get from it the utmost in health, happiness and success!
The clock is running!! Make the most of today.

23 de março de 2017

somos seres repetidos
seres repetidores
incansáveis na arte de cansarmos-nos
fatigados, fatigantes, fatigadores.

Margarida

é, meu caro amigo, a tristeza vicia
vai lá no fundo da alma e dá um soco
mas ela volta sorrindo, então tudo fica bem de novo

imóvel
inerte
movendo-se em função dos outros
como uma marionete

não dá vontade de parar
nem de continuar
só de ficar parado
esperando o tempo passar

viver de palavras alheias
da repetição das situações da vida
das mudanças incompletas
dessa flor colorida
que é a tristeza Margarida

21 de março de 2017

embalo da vida

há certas coisas que são como são
já outras, em contrapartida, não
várias coisas tem o poder mutável de: assumir outra forma,
receber para si outro nome ou mudar de direção

limitação gigante é achar que, em totalidade, não temos esse poder
que nascemos assim, que esse é o jeito que devemos ser
aí a vida fica sem graça, parece que já vem com manual
que é só cumprir o nosso papel e depois morrer

ah, eu posso ser o que eu quiser
posso pensar do jeito que pensar que quero pensar
assumir o atual papel do lápis
na sua função de escrever ou rabiscar

ah, eu posso ser quem eu quiser
agora sou um macaco, pulando de galho em galho
posso ser só agora ou se eu quiser,
também, posso ser pra vida inteira, caralho!

não controlo quase nada
mas esse eu aqui sou eu que falo
o que fazer ou não fazer
qual velocidade, qual embalo





16 de março de 2017

Ah, como eu me amo

Então você diz: "ah, como eu te amo"
Poderia mudar suas palavras
Substituir o te pelo me
e então ficariam mais precisas

O amor está confuso
Ele não é empregado, mas prestativo
Não é obrigado
Não concorda com as suas opiniões
É sujeito, não predicado

Afeto não é seu sinônimo
Não está só em beijos, abraços e carinho
Respeito e paz andam ao lado
Desse amor raro e mal falado

No amor, não "tenho que"
Um "desculpa, eu não posso ou eu não quero"
Bem sincero
Desespero
Uma porta entreaberta, obstruída
Não é cool, não é cool

Se eu te digo um não
e seu sentimento muda
Ah, como eu te amo
Ah, como eu me amo



13 de março de 2017

tudo da sua, da minha e de outras cabeças

Quando eu era garoto
acreditava em papai noel
Que a cegonha trazia os filhos pras mães
Acreditei até que existia Rapunzel

Colocava os dentinhos debaixo do travesseiro
pra ter o "meu próprio dinheiro" e comprar un docinhos
Também tinha medo do escuro
pois pensava que lá não era seguro

Tinha certeza que o Jerry, assim como os outros ratos, falava
E que gatos como o Tom sabiam tocar instrumentos
Que uma máquina como a do The Sims
poderia preencher todas as barras de necessidades
na velocidade de dois pensamentos

E aquilo tudo era real
Ao passar um dia após o outro
cada coisinha que eu acreditava
não era mais normal

É aí que fica aquela questão
passando toda hora na cabeça
O que querem que a gente acredite ?
O que querem que a gente esqueça ?

Há coisas que não tenho nem noção
Claro, vinte e três anos, ainda não sou um ancião
O amor pode não ser como passa na televisão
E as possíveis relações interpessoais também não




ou talvez não

penso e calculo
e não chego a nenhuma resolução
de repente, vem um estalo,
talvez disso que chamam imaginação

é aquela teoria da ação e da reação
se dou um soco em alguém
as dores não são tão diferentes
um sai machucado e o outro também

assim acontece com sentimentos
não só com eles mas com sensações
se eu me sinto feliz com algo
esse algo pode me trazer tristeza também
eita contradição, hein ?

será que é esse tal de equilíbrio ?
ou talvez sejam energias
mas talvez seja só um pensamento bobo
que o ócio dos dias
traz nesse recém agoráfobo

ou talvez não
alegria traz tristeza
medo traz coragem
assim como o inverso acontece
e a feiura traz a beleza

os prazeres que levam ao apego
as boas memórias que estão ao lado da saudade
a vida que leva à morte
e a abundância que chega com a raridade


11 de março de 2017

esconderijo

nada
se o nada existisse
tudo seria nada
digo, o tudo não existiria
-eu não existiria
ah, que bom pensar nessa utopia

nem o certo
nem o errado
nem o louco
nem o equilibrado

não haveria
a fome que não se sacia
nem o dia pelo dia
nem a noite pela noite
que escurece o que não se sabia

um dia após o outro
um mês logo o final
depois, o começo de novo
nesse ciclo orgânico
que de tão anormal vira normal

essa sede de controle
ou talvez de poder
que esconde quem quer aparecer
e mostra quem quer se esconder

e se eu me escondesse
e deixasse o ciclo girar...
e girar ?

e esse medo que já vem embutido na cabeça
acho que é um brinde
tim-tim
um bônus
do controle
dos sistemas
acorde antes que cresça